quarta-feira, 22 de abril de 2015

Uma rainha

Não é uma mulher,
Entre todas será sempre
Uma lenda
Que tocava a vida
Com as mãos calejadas
Entre os seus punhos forte
Haviam um enorme afeto
Que traziam entre as linhas das palmas escritas
Orações feitas de um povo
Com os calos dos dedos e um anel de ouro
As marcas do árduo trabalho e alegria d'alma
Sem artificio vivia
A gloria de ser simplesmente mulher
Uma mulher negra, índia e mestiça
Não é uma mãe,
Entre todas sera sempre uma que paria
E retirava do seu ventre
Uma Maria
Um João
Os filhos que levava nos braços
Longe da senzala
Distante da tribo
Presa as tradições dos brancos
Escrava da casa e com uma dignidade de rainha
Sem dono mas com um senhor
Braçal levava a vida na rédea
Para ser uma senhora quando ainda era uma menina
Destemida e fazia historia
Guerreira como uma selvagem
Nas veias corria sangue d'etnias
Coragem de uma fêmea
Dos seus antecedentes conheceu
A vontade de ser destemida aprendeu  
Com natural sabedoria de uma heroína
Cabocla com suas longas tranças de Rapunzel
E bela, como era bela essa mulher
Com rosto de um kurumin  
Mas com marcas de um povo
Que conheceu no acoite
A palavra ódio e amor
Que entre as guerras e os tempos difícil
Transformava o seu tempo
Em novos tempos
Quem era essa mulher,
Que passava cuidar dos netos
Pelos anos que cuidou dos filhos
Marejava com destreza
A mesma árdua tarefa
e a alegria de viver
Me lembro daquela mulher com as pernas arquejadas
Que caminhava lentamente
Cada momento para nós proteger
Ensinando dignamente arte de ser
Não era uma mulher 
Nem tão pouco mãe 
Era minha avó simplesmente 
Que vive no céu para ser rainha 
Nas minhas lembranças para sempre soberana