Tu voltaste.
Não era sonho.
Não era delírio.
Nem invenção da minha solidão.
Tu voltaste como eu desejei.
Não era fantasia,
nem tampouco imaginação.
Tu voltaste.
Tu voltaste.
Voltaste da mesma forma:
com o mesmo sorriso,
o mesmo olhar,
exatamente como eu te vestia
na memória.
Nas madrugadas longas,
eu te buscava no vazio da cama fria:
teus braços,
tuas pernas,
teu corpo ausente,
tentando aliviar uma dor
que eu não sabia suportar.
Eu não sabia
que a dor do amor
doía assim.
Agonizei.
Morri devagar.
Bebi para te esquecer,
bebi para lembrar,
bebi para falar de ti,
bebi para anestesiar
o que não cessava.
Toda noite.
Todo dia.
Caminhei por ruas escuras,
embriagada de álcool e esperança,
te procurando como quem implora um milagre,
como quem aceita qualquer sinal
um nome, um rastro, um rosto
que me dissesse onde tu estavas.
Minhas pernas falhavam.
Meu corpo cedia.
E muitas vezes eu não queria voltar para casa,
porque voltar era admitir
que tu não estarias lá.
Era aceitar
a ausência da tua amizade,
do teu toque,
do teu amor.
Sem tu,
a vida doía demais.
Mas tu voltaste.
Como eu sempre soube
que voltarias.
Voltaste a tempo de ver
os cacos das garrafas,
os copos vazios,
as lágrimas que eu nunca engoli,
as roupas amarrotadas,
o quarto desfeito,
meus cabelos fora do lugar
e a mulher que quase se perdeu.
Não perguntei nada.
Não quis explicações.
Sem nenhum respeito
pelo meu amor-próprio,
te abracei
e implorei em silêncio
para que nunca mais me abondanes.
Porque sem tu
eu não sabia
se ainda era possível viver.
Tu voltaste.
autora: Isabel van Gurp
Tu voltaste.
Não era sonho.
Não era delírio.
Nem invenção da minha solidão.
Tu voltaste como eu desejei.
Não era fantasia,
nem tampouco imaginação.
Tu voltaste.
Tu voltaste.
Voltaste da mesma forma:
com o mesmo sorriso,
o mesmo olhar,
exatamente como eu te vestia
na memória.
Nas madrugadas longas,
eu te buscava no vazio da cama fria:
teus braços,
tuas pernas,
teu corpo ausente,
tentando aliviar uma dor
que eu não sabia suportar.
Eu não sabia
que a dor do amor
doía assim.
Agonizei.
Morri devagar.
Bebi para te esquecer,
bebi para lembrar,
bebi para falar de ti,
bebi para anestesiar
o que não cessava.
Toda noite.
Todo dia.
Caminhei por ruas escuras,
embriagada de álcool e esperança,
te procurando como quem implora um milagre,
como quem aceita qualquer sinal
um nome, um rastro, um rosto
que me dissesse onde tu estavas.
Minhas pernas falhavam.
Meu corpo cedia.
E muitas vezes eu não queria voltar para casa,
porque voltar era admitir
que tu não estarias lá.
Era aceitar
a ausência da tua amizade,
do teu toque,
do teu amor.
Sem tu,
a vida doía demais.
Mas tu voltaste.
Como eu sempre soube
que voltarias.
Voltaste a tempo de ver
os cacos das garrafas,
os copos vazios,
as lágrimas que eu nunca engoli,
as roupas amarrotadas,
o quarto desfeito,
meus cabelos fora do lugar
e a mulher que quase se perdeu.
Não perguntei nada.
Não quis explicações.
Sem nenhum respeito
pelo meu amor-próprio,
te abracei
e implorei em silêncio
para que nunca mais me abondanes.
Porque sem tu
eu não sabia
se ainda era possível viver.
Tu voltaste.
autora: Isabel van Gurp