Tu voltaste.
Não era sonho.
Não era delírio.
Nem invenção da solidão
que habitava meus dias.
Tu voltaste.
Como eu havia pedido ao céu
nas noites sem resposta.
Não era fantasia.
Não era miragem.
Nem fruto da esperança
que se recusava a morrer.
Tu voltaste.
Tu voltaste.
Da mesma maneira.
Com o mesmo sorriso
que eu guardava intacto.
Com o mesmo olhar
que atravessava minhas lembranças.
Exatamente como eu te vestia
na memória.
Nas madrugadas intermináveis,
eu buscava teu corpo
na metade vazia da cama.
Procurava teus braços,
tuas pernas,
teu calor,
como quem procura abrigo
em meio à tempestade.
Tentava aliviar a ausência,
mas a ausência tinha dentes.
E me devorava lentamente.
Eu não sabia
que a dor do amor
doía assim.
Agonizei.
Morri devagar.
Dia após dia.
Noite após noite.
Bebi para esquecer.
Bebi para lembrar.
Bebi para falar de ti.
Bebi para silenciar teu nome.
Bebi para adormecer a ferida
que nunca fechava.
Caminhei por ruas escuras,
embriagada de álcool
e de esperança.
Procurava-te em cada esquina,
em cada rosto desconhecido,
em cada sombra.
Como quem implora um milagre.
Como quem aceita qualquer vestígio:
um nome,
um perfume,
um rastro,
um sinal.
Qualquer coisa
que me dissesse
onde tu estavas.
Minhas pernas vacilavam.
Meu corpo rendia-se ao cansaço.
E muitas vezes eu não queria voltar para casa.
Porque voltar
era aceitar a derrota da espera.
Era abrir a porta
e encontrar apenas o silêncio.
Era admitir
que tua voz não estaria ali.
Que tua amizade não estaria ali.
Que teu amor não estaria ali.
Sem ti,
a vida pesava demais.
Mas tu voltaste.
Como eu sempre soube
que voltarias.
Voltaste a tempo de encontrar
os cacos espalhados,
as garrafas vazias,
os copos esquecidos,
as lágrimas que nunca consegui chorar por inteiro,
as roupas amassadas,
o quarto em desalinho,
os cabelos sem cuidado
e a mulher que quase desapareceu de si mesma.
Não perguntei nada.
Não quis respostas.
Não quis explicações.
Sem nenhuma defesa.
Sem nenhum orgulho.
Sem qualquer preocupação
com o amor-próprio.
Apenas te abracei.
E, em silêncio,
implorei ao destino
que nunca mais te levasse.
Porque sem ti
eu já não sabia
se ainda existia caminho.
Tu voltaste.
E naquele instante,
pela primeira vez,
a vida voltou também.
autora: Isabel van Gurp
Tu voltaste.
Não era sonho.
Não era delírio.
Nem invenção da solidão
que habitava meus dias.
Tu voltaste.
Como eu havia pedido ao céu
nas noites sem resposta.
Não era fantasia.
Não era miragem.
Nem fruto da esperança
que se recusava a morrer.
Tu voltaste.
Tu voltaste.
Da mesma maneira.
Com o mesmo sorriso
que eu guardava intacto.
Com o mesmo olhar
que atravessava minhas lembranças.
Exatamente como eu te vestia
na memória.
Nas madrugadas intermináveis,
eu buscava teu corpo
na metade vazia da cama.
Procurava teus braços,
tuas pernas,
teu calor,
como quem procura abrigo
em meio à tempestade.
Tentava aliviar a ausência,
mas a ausência tinha dentes.
E me devorava lentamente.
Eu não sabia
que a dor do amor
doía assim.
Agonizei.
Morri devagar.
Dia após dia.
Noite após noite.
Bebi para esquecer.
Bebi para lembrar.
Bebi para falar de ti.
Bebi para silenciar teu nome.
Bebi para adormecer a ferida
que nunca fechava.
Caminhei por ruas escuras,
embriagada de álcool
e de esperança.
Procurava-te em cada esquina,
em cada rosto desconhecido,
em cada sombra.
Como quem implora um milagre.
Como quem aceita qualquer vestígio:
um nome,
um perfume,
um rastro,
um sinal.
Qualquer coisa
que me dissesse
onde tu estavas.
Minhas pernas vacilavam.
Meu corpo rendia-se ao cansaço.
E muitas vezes eu não queria voltar para casa.
Porque voltar
era aceitar a derrota da espera.
Era abrir a porta
e encontrar apenas o silêncio.
Era admitir
que tua voz não estaria ali.
Que tua amizade não estaria ali.
Que teu amor não estaria ali.
Sem ti,
a vida pesava demais.
Mas tu voltaste.
Como eu sempre soube
que voltarias.
Voltaste a tempo de encontrar
os cacos espalhados,
as garrafas vazias,
os copos esquecidos,
as lágrimas que nunca consegui chorar por inteiro,
as roupas amassadas,
o quarto em desalinho,
os cabelos sem cuidado
e a mulher que quase desapareceu de si mesma.
Não perguntei nada.
Não quis respostas.
Não quis explicações.
Sem nenhuma defesa.
Sem nenhum orgulho.
Sem qualquer preocupação
com o amor-próprio.
Apenas te abracei.
E, em silêncio,
implorei ao destino
que nunca mais te levasse.
Porque sem ti
eu já não sabia
se ainda existia caminho.
Tu voltaste.
E naquele instante,
pela primeira vez,
a vida voltou também.
autora: Isabel van Gurp