Primeira Neve
Nasce o sol.
Mais um dia
desperta no horizonte.
As cores da manhã
invadem a terra,
espalhando luz
sobre os campos,
as árvores
e os caminhos.
Vaga o contraste
entre o verde da natureza
e o dourado do sol.
Olhei pela janela.
Mas não havia cores.
Tudo era branco.
Sereno.
Reluzente.
Um tapete macio
estendido sobre a paisagem,
brilhando sob a luz tranquila
da manhã.
A neve havia chegado
durante a noite,
em silêncio,
sem anunciar sua presença.
Cobriu os telhados,
os jardins,
os galhos cansados das árvores,
os caminhos por onde ontem
a vida seguia apressada.
O mundo parecia dormir
sob um lençol de paz.
Até o vento caminhava devagar,
como se temesse quebrar
a delicadeza daquele instante.
Fiquei ali,
diante da janela,
olhando o milagre.
O branco dominava tudo,
mas não era ausência de cor.
Era a soma delas.
Era a pureza.
Era o silêncio transformado
em paisagem.
Então compreendi
que nem toda beleza
precisa florescer em vermelho,
amarelo ou azul.
Às vezes,
a beleza chega vestida de branco.
E basta.
Enquanto o sol subia lentamente,
fazendo a neve cintilar
como milhões de pequenos cristais,
meu coração também amanhecia,
encantado
com a simplicidade
de ver o mundo
renascer diferente.
Naquela manhã,
a natureza não me mostrou cores.
Mostrou-me paz.
Autora: Isabel van Gurp


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