quarta-feira, 21 de março de 2012

Sombra



Minhas mãos acariciam o silêncio.

É nele que começo a me escutar.

Estou à busca do meu ser
para, enfim, me entender.

Procuro no espelho
o reflexo de mim mesma
que perdi em algum ponto 
numa jornada confusa,
numa história mal vivida,
não sei exatamente onde.

Afago o meu ego.
Já é um começo.
Porque, em algum caminho,
abandonei a mim mesma:
ou deixei à beira da estrada,
ou entreguei a alguém,
ou escondi por medo.

Medo de não ser feliz
sendo quem eu sou.

Não sei quando nem por quê,
mas me descuidei.
Disfarcei.
Fingi.
Aceitei tudo.
Acreditei que dava
para ser feliz
sem ser inteira.

Passo a passo,

em longos passos 

Olho para minha sombra 

Se ela me acompanha,
é porque eu existo.


Agora, no próximo passo,
quero encontrar o meu amor:
o amor-próprio.

Perdi o domínio de mim
no jogo da vida,
da atração,
da entrega sem medida,
da carência disfarçada de afeto.

Por pouco,
arremessei minha autoestima fora,
troquei meu nome

Por um sobrenome 
por migalhas de paixão,
por promessas quentes
que não permaneciam.

Não.

Preciso me reencontrar.
Preciso brigar por mim.
Preciso voltar a ser eu.
Preciso ser gente.

Quero meu ego de volta,
minha alma inteira 

com sombra e luz,
pensamentos,
desejos,
orgulho.

Preciso me amar
com dignidade e respeito.

Olhar no espelho
e sustentar o olhar.
Reconhecer quem sou.
Assumir minha imagem.

Meu nome de menina 

Recuperar minha autoestima
antes de tentar amar alguém.

Só então 
e somente assim 
posso ser, de verdade,
feliz.



autora: Isabel van Gurp
































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