Minhas mãos acariciam o silêncio.
É nele que começo a me escutar.
Estou à busca do meu ser
para, enfim, me entender.
Procuro no espelho
o reflexo de mim mesma
que perdi em algum ponto
numa jornada confusa,
numa história mal vivida,
não sei exatamente onde.
Afago o meu ego.
Já é um começo.
Porque, em algum caminho,
abandonei a mim mesma:
ou deixei à beira da estrada,
ou entreguei a alguém,
ou escondi por medo.
Medo de não ser feliz
sendo quem eu sou.
Não sei quando nem por quê,
mas me descuidei.
Disfarcei.
Fingi.
Aceitei tudo.
Acreditei que dava
para ser feliz
sem ser inteira.
Passo a passo,
em longos passos
Olho para minha sombra
Se ela me acompanha,
é porque eu existo.
Agora, no próximo passo,
quero encontrar o meu amor:
o amor-próprio.
Perdi o domínio de mim
no jogo da vida,
da atração,
da entrega sem medida,
da carência disfarçada de afeto.
Por pouco,
arremessei minha autoestima fora,
troquei meu nome
Por um sobrenome
por migalhas de paixão,
por promessas quentes
que não permaneciam.
Não.
Preciso me reencontrar.
Preciso brigar por mim.
Preciso voltar a ser eu.
Preciso ser gente.
Quero meu ego de volta,
minha alma inteira
com sombra e luz,
pensamentos,
desejos,
orgulho.
Preciso me amar
com dignidade e respeito.
Olhar no espelho
e sustentar o olhar.
Reconhecer quem sou.
Assumir minha imagem.
Meu nome de menina
Recuperar minha autoestima
antes de tentar amar alguém.
Só então
e somente assim
posso ser, de verdade,
feliz.
autora: Isabel van Gurp
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