Sinto meu corpo
ceder nas tuas mãos,
escorrer lento entre teus dedos
que sabem onde tocar,
onde acender
o fogo que me consome.
Teu toque não pede
domina.
Meu corpo obedece
antes mesmo do pensamento,
entregue, vulnerável,
presa ao desejo
que me desnuda por dentro.
Fico à mercê
das tuas vontades,
da tua fome.
Semi-hipnotizada,
deixo que me tomes
como quem sabe
que será lembrado na pele.
Tu me tens
num instante bruto,
num golpe preciso,
e me levas ao limite
onde prazer e perda
se confundem.
E então vais embora.
Fico só,
tremendo ainda,
com o corpo quente
e a alma exposta,
dividida entre a dor do abandono
e a vertigem do amor.
Ainda sinto
o calor das tuas mãos
gravado em mim,
como marca que não se apaga.
Teus dedos continuam
a me percorrer na memória.
Murmuro teu nome
baixo,
quase um pedido,
quase uma rendição.
Sei que posso cair de novo,
sei que é armadilha,
mas desejo não aprende
repete.
Mais uma vez me deixei levar
pela tua persuasão,
flutuei nas tuas mãos,
alcancei o paraíso
com o corpo em chamas.
E mais uma vez
fui deixada no fogo,
ardendo sozinha
no inferno da paixão,
morrendo de amor
e ainda querendo mais.
Autora: Isabel van Gurp
Sussurro
Teu toque
me desarma.
Entre teus dedos
me perco
sem pedir socorro.
Ardo em silêncio.
Te sigo
até onde não prometes ficar.
Partes.
Fico.
Ainda quente.
Ainda aberta.
Ainda tua
no que restou de mim.
Autora: Isabel van Gurp
