Embalei-me nos gritos
dos surdos da madrugada,
na dança sem ritmo
dos loucos asfixiados.
Entreguei-me por muito,
não voltei por nada.
Desisti sem tentar,
envolvi-me por tentar.
Entrei numa onda.
Senti meu corpo
voar pelo espaço,
minha mente estilhada
em mil pedaços,
sem deixar rastros,
nem partículas do querer.
Eu estava louca
o que ficou para trás
foi quase nada,
ou pouco demais para ser alguém.
Poucos sabem,
mas pouco importa
quem sou.
Talvez eu seja
a sobra dos réus,
uma sombra na estrada,
mesmo não sendo ninguém.
Não sou mais dona de mim,
do remanescente de alguém.
Desisti sem tentar,
envolvi-me por aventurar.
O que me prometeram
era uma viagem
sem piloto,
sem ninguém.
E eu sabia, de antemão,
que a última estação
era no esgoto.
Embalei-me nos gritos
dos viciados,
na euforia comprada
por alguns trocados,
migalhas de pó
na miséria alheia
de uma sociedade
que finge não ver.
Senti-me poderosa
no império do menos,
na alegria do meu luto,
quando embarquei
no vagão
que me levava
à última estação:
Estação Esgoto.
Esparrela sem mim,
embora espedaçada
no vagão,
na euforia do nada.
Todas as mães, famílias que perderam seus filhos....para esse mal que eu chamo a pior droga do século
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