quarta-feira, 3 de junho de 2026

Primeira Neve






Primeira Neve

Nasce o sol.

Mais um dia

desperta no horizonte.

As cores da manhã

invadem a terra,

espalhando luz

sobre os campos,

as árvores

e os caminhos.

Vaga o contraste

entre o verde da natureza

e o dourado do sol.

Olhei pela janela.

Mas não havia cores.

Tudo era branco.

Sereno.

Reluzente.

Um tapete macio

estendido sobre a paisagem,

brilhando sob a luz tranquila

da manhã.

A neve havia chegado

durante a noite,

em silêncio,

sem anunciar sua presença.

Cobriu os telhados,

os jardins,

os galhos cansados das árvores,

os caminhos por onde ontem

a vida seguia apressada.

O mundo parecia dormir

sob um lençol de paz.

Até o vento caminhava devagar,

como se temesse quebrar

a delicadeza daquele instante.

Fiquei ali,

diante da janela,

olhando o milagre.

O branco dominava tudo,

mas não era ausência de cor.

Era a soma delas.

Era a pureza.

Era o silêncio transformado

em paisagem.

Então compreendi

que nem toda beleza

precisa florescer em vermelho,

amarelo ou azul.

Às vezes,

a beleza chega vestida de branco.

E basta.

Enquanto o sol subia lentamente,

fazendo a neve cintilar

como milhões de pequenos cristais,

meu coração também amanhecia,

encantado

com a simplicidade

de ver o mundo

renascer diferente.

Naquela manhã,

a natureza não me mostrou cores.

Mostrou-me paz.


Autora: Isabel van Gurp 

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