O Tesouro Esquecido
Descobri, entre os labirintos do pensamento,
um caminho estreito
que eu jamais havia percorrido.
No fim dele,
escondido sob camadas de silêncio,
encontrei um mapa antigo,
amarelado pelo tempo,
guardado a sete chaves
num cofre que eu mesma construí.
Havia um tesouro.
Era a felicidade.
Passei a vida procurando-a.
Busquei-a nas esquinas do mundo,
nas mesas dos bares,
nos aeroportos de partidas e regressos.
Atravessei montanhas
que tocavam as nuvens,
cidades que nunca dormiam,
desertos onde o vento
apagava os rastros dos viajantes.
Subi aos céus
na ilusão de encontrar respostas.
Desci aos abismos
para conversar com meus medos.
Perguntei aos deuses.
Perguntei aos homens.
Procurei-a nos aplausos,
na fama,
nas vitrines iluminadas do sucesso.
Encontrei ouro.
Encontrei poder.
Encontrei multidões.
Mas a felicidade não morava ali.
Era como uma ave arisca:
quando eu pensava tocá-la,
ela levantava voo.
Vi a alegria passar por mim
como água entre os dedos,
como perfume levado pelo vento,
como uma estrela cadente
que ilumina e desaparece.
Por muito tempo
confundi felicidade com euforia,
amor com posse,
grandeza com poder.
E, nessa busca sem descanso,
afastei-me de mim mesma.
Até que um dia parei.
Pela primeira vez,
não corri atrás de nada.
Escutei apenas
o som da minha própria respiração.
E foi então que encontrei o mapa.
Compreendi que o tesouro
nunca esteve escondido nas estradas,
nem nas montanhas,
nem nos templos,
nem nas mãos de ninguém.
O tesouro sempre esteve aqui.
Dentro de mim.
Esperando, em silêncio,
que eu voltasse para casa.
Autora: Isabel van Gurp
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