terça-feira, 2 de junho de 2026

Estou Indo ao Teu Encontro






Estou indo ao teu encontro.

Visto-me de branco,

como quem veste a própria esperança.

Meu vestido desliza sobre a terra

feito rio de luar,

bordado de rendas antigas

e pequenos brilhos

que dormiram anos

à espera deste dia.

Cada pedra cintila

como uma promessa guardada.

Cada dobra do tecido

carrega um sonho.

Caminho.

E o mundo parece saber.

As flores inclinam suas corolas,

os pássaros desenham círculos no céu,

e o vento,

com mãos invisíveis,

arruma meus cabelos

como uma mãe amorosa

antes da festa.

Vou ao teu encontro.

Há tanto tempo vou.

Talvez desde a infância,

quando acreditava

que os milagres moravam

atrás das estrelas.

Talvez desde sempre.

Os moinhos giram lentamente

sobre os campos dourados,

moendo distâncias,

transformando saudades em chegada,

esperas em destino.

O sol repousa sobre meus ombros.

Sua luz me veste

com um manto de alegria.

E eu avanço,

porque o coração conhece caminhos

que os olhos ainda não veem.

Colho tulipas pelo percurso.

Brancas para a paz.

Vermelhas para o amor.

Douradas para a eternidade.

Faço delas um buquê singelo,

pois os grandes sentimentos

não precisam de excesso.

Ainda não te vejo.

Mas tua presença me alcança

como perfume trazido pelo vento.

Sinto-te.

Como se tua alma

caminhasse ao meu encontro

muito antes dos teus passos.

Então o horizonte se abre.

E surgem muralhas antigas,

torres beijadas pela luz,

e um castelo erguido

entre o sonho e a memória.

Dele vens.

Montado em teu cavalo branco,

atravessando o tempo

com a serenidade dos que pertencem

ao lugar para onde seguem.

Trazes nos olhos

o brilho dos reencontros.

Como se já me conhecesses

de outras vidas,

de outros céus,

de alguma eternidade esquecida.

E quando enfim me alcanças,

o mundo silencia.

As flores silenciam.

Os pássaros silenciam.

Até o vento suspende o voo.

Porque há instantes

que são maiores que as palavras.

Seguras minhas mãos.

E tudo floresce.

Tudo encontra sentido.

As esperas.

As lágrimas.

Os sonhos.

Os anos.

Percebo então

que o amor verdadeiro

não chega de repente.

Ele caminha conosco,

em segredo,

durante toda a vida,

até revelar seu rosto.

Estou vestida de rainha.

Mas não por causa do vestido.

Nem das rendas.

Nem das pedras preciosas.

Sou rainha

porque amo.

E porque sou amada.

Acima de nós,

as estrelas acendem uma a uma

como velas de celebração.

E ouço,

muito ao longe,

a voz suave da fada madrinha

que um dia me fez acreditar:

— Algumas promessas foram escritas no céu.

Sorrio.

Porque agora sei.

Os contos de fadas existem.

Nem sempre nos livros.

Às vezes,

eles florescem discretamente

dentro da vida.

E tornam-se realidade.


Autora: Isabel van Gurp

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