Estou indo ao teu encontro.
Visto-me de branco,
como quem veste a própria esperança.
Meu vestido desliza sobre a terra
feito rio de luar,
bordado de rendas antigas
e pequenos brilhos
que dormiram anos
à espera deste dia.
Cada pedra cintila
como uma promessa guardada.
Cada dobra do tecido
carrega um sonho.
Caminho.
E o mundo parece saber.
As flores inclinam suas corolas,
os pássaros desenham círculos no céu,
e o vento,
com mãos invisíveis,
arruma meus cabelos
como uma mãe amorosa
antes da festa.
Vou ao teu encontro.
Há tanto tempo vou.
Talvez desde a infância,
quando acreditava
que os milagres moravam
atrás das estrelas.
Talvez desde sempre.
Os moinhos giram lentamente
sobre os campos dourados,
moendo distâncias,
transformando saudades em chegada,
esperas em destino.
O sol repousa sobre meus ombros.
Sua luz me veste
com um manto de alegria.
E eu avanço,
porque o coração conhece caminhos
que os olhos ainda não veem.
Colho tulipas pelo percurso.
Brancas para a paz.
Vermelhas para o amor.
Douradas para a eternidade.
Faço delas um buquê singelo,
pois os grandes sentimentos
não precisam de excesso.
Ainda não te vejo.
Mas tua presença me alcança
como perfume trazido pelo vento.
Sinto-te.
Como se tua alma
caminhasse ao meu encontro
muito antes dos teus passos.
Então o horizonte se abre.
E surgem muralhas antigas,
torres beijadas pela luz,
e um castelo erguido
entre o sonho e a memória.
Dele vens.
Montado em teu cavalo branco,
atravessando o tempo
com a serenidade dos que pertencem
ao lugar para onde seguem.
Trazes nos olhos
o brilho dos reencontros.
Como se já me conhecesses
de outras vidas,
de outros céus,
de alguma eternidade esquecida.
E quando enfim me alcanças,
o mundo silencia.
As flores silenciam.
Os pássaros silenciam.
Até o vento suspende o voo.
Porque há instantes
que são maiores que as palavras.
Seguras minhas mãos.
E tudo floresce.
Tudo encontra sentido.
As esperas.
As lágrimas.
Os sonhos.
Os anos.
Percebo então
que o amor verdadeiro
não chega de repente.
Ele caminha conosco,
em segredo,
durante toda a vida,
até revelar seu rosto.
Estou vestida de rainha.
Mas não por causa do vestido.
Nem das rendas.
Nem das pedras preciosas.
Sou rainha
porque amo.
E porque sou amada.
Acima de nós,
as estrelas acendem uma a uma
como velas de celebração.
E ouço,
muito ao longe,
a voz suave da fada madrinha
que um dia me fez acreditar:
— Algumas promessas foram escritas no céu.
Sorrio.
Porque agora sei.
Os contos de fadas existem.
Nem sempre nos livros.
Às vezes,
eles florescem discretamente
dentro da vida.
E tornam-se realidade.
Autora: Isabel van Gurp
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