sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ainda Te Embalo



Ainda sinto
a dor.
O grito.
A alegria.

Foi o instante mais feliz da minha vida.

Ainda sinto teu corpinho dentro de mim,
teus movimentos,
cada chute que me ensinava a esperar.

Queria ainda te carregar no ventre,
encantar-me com tuas peripécias
antes mesmo de nascer.

A força do teu olhar
sempre trouxe algo meu de volta,
e isso me faz feliz para sempre.

Senti teu corpo franzino,
tão delicado.

Quando te toquei pela primeira vez,
quando te olhei pela primeira vez,
quando te acolhi nos meus braços,

Não era a primeira vez

eu já te conhecia.

O sangue que te doei
fez de ti um ser,
um ser nascido de mim,
das minhas entranhas.

Gerei-te por nove meses.
Esperei-te por anos.

Ainda sinto
a dor.
O grito.
A alegria.

Queria sentir novamente
meus seios pesados de leite,
cheios da abundância que a vida conhece.

Queria teu corpo nos meus braços,
tua boca faminta
abraçando a aréola,
buscando o leite que a natureza, tão sábia,
já sabia onde encontrar.

Havia sabedoria em teus gestos.

Eu saciava tua fome
e, nos meus olhos,
nascia a felicidade mais inteira.

Escutava tua respiração.

Sentia tua mão pequena,
delicada e forte,
segurando meu dedo.

E sabias 
sem palavras 
que eu era tua mãe.

Há um vínculo entre nós.

Há um segredo.

Há um acordo silencioso.

Há um amor incondicional.

Queria ouvir teu suspiro satisfeito,
teu corpo cansado de tanto mamar,
querendo outro seio,
porque sabias
que ainda havia mais.

E eu era feliz
porque tu precisavas de mim.

Dormias pesado,
de barriga cheia.

Sonhos de anjo, diziam.

Um fio de leite escorria pela tua boca,
e eu o limpava com os dedos,
sem nunca querer te soltar.

Ficava ali, te embalando,
porque separar-me de ti
era impossível.

Queria ainda embalar teu sono,
velar teus sonhos,
contar as horas pela tua respiração tranquila.

Mas o tempo passou.

E tu cresceste.

Ainda assim, quando te vejo sorrir,
algo daquele bebê permanece.

Ainda vejo teus olhos procurando os meus.

Ainda sinto a tua mão segurando meu dedo.

Ainda escuto, no silêncio da memória,
o som do teu primeiro choro.

E compreendo que algumas coisas
o tempo não leva.

Para mim,

tu serás sempre

meu filho.

Meu anjo.

E, de algum modo,

ainda te embalo.



autora: Isabel van Gurp







2 comentários:

  1. Adorei, lembrei da Carolzinha. Parabéns mamãe Izabel Bjs!!

    ResponderExcluir
  2. Claudia, essa poesia estava guardada no meu pensamento algum tempo. O Maurits fez 13 anos as lembranças do seu nascimento voltaram tão forte...que eu lembrei da sua boquinha procurando leite toda vez que eu pegava ele no colo, lembrei do olhar dele fixo no meu...do seu sorriso toda vez que ele terminava de mamar...enfim, ele foi uma delicia de bebê. Eu acho que conseguir colocar esse sentimento no papel...neste poema. Feliz Dia das Mães para todas as mães do mundo,as mães que ainda não são mães que que ainda tem seu bebê no ventre, as mães que visitam meu blog, as mães que são minhas amigas, minhas conhecidas,as minhas tias, as minhas duas mães que eu amo tanto que nesse dia eu não posso ficar com elas. Beijos

    ResponderExcluir