sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Memoria, Não Sou Mais Dona de Mim



                                                        



Memoria



Não Sou Mais Dona de Mim

O tempo escorrega

pelas minhas mãos.

Já não sou dona de mim.

Sinto-me fugir.

Fujo de mim mesma.

Dos meus anseios.

Dos meus medos.

Tenho medo.

Não me encontro mais

neste espiral.

Perco-me nas palavras.

Afundo-me na angústia

de saber

sem compreender.

Estou presente

no dia a dia,

mas completamente ausente.

Minhas lembranças fogem.

A cada minuto.

A cada hora.

As recordações tornam-se distantes,

como fotografias antigas

esquecidas no fundo de uma gaveta

que já não consigo abrir.

Não consigo mais montar

o quebra-cabeça

que é a minha vida.

A cada amanhecer,

uma peça desaparece.

Outra se quebra.

Outra se perde.

Minha memória deixa cair meses.

Deixa cair anos.

Levados pelas águas silenciosas

do tempo.

Alguns momentos permanecem claros,

como se fossem ontem.

Vejo-me menina.

Pergunto pela minha mãe.

Chamo meu filho de pai.

Meu irmão de tio.

E não compreendo

por que os rostos

trocam de lugar.

Por isso as luzes permanecem acesas.

Para iluminar

os dias felizes da minha vida.

Esses,

ainda consigo encontrar.

Mas cada vez me sinto mais perdida

nesta armadilha da memória.

Meu raciocínio foge

por corredores desconhecidos.

As palavras escondem-se.

Os nomes escapam.

As frases voltam,

repetidas,

como ecos presos

dentro da mesma sala.

Prefiro o silêncio.

No silêncio,

ninguém percebe

o quanto me perdi.

Meu pior inimigo

não é o tempo.

É aquilo que ele leva.

Desfaz, pouco a pouco,

cada pedaço da minha memória.

Cada dia acordo

com menos do que tinha ontem.

As imagens fogem.

Os rostos desaparecem.

As histórias se apagam.

E eu continuo procurando

a mulher que fui

dentro dos corredores da lembrança.

Às vezes encontro um sorriso.

Uma canção.

Uma tarde de verão.

O abraço de alguém

que amei.

Mas tudo se dissolve depressa,

como neblina

ao amanhecer.

Estou cada vez mais distante.

Mais ausente.

Como uma casa

onde as luzes permanecem acesas,

mas os moradores

já partiram.

E o que mais me assusta

não é esquecer o mundo.

É esquecer a mim mesma.

Até que um dia,

talvez,

reste apenas o silêncio,

sentado ao meu lado,

ocupando o lugar

das memórias

que um dia fizeram de mim

quem eu era.


Autora: Isabel van Gurp






6 comentários:

  1. Que bacana Bel. Legal mesmo. Continue assim sendo essa pessoa maravilhosa que vc eh e alegre e espontanea. Gosto muito de voce Bel.
    Um beijao,
    Alex

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  2. Oi Gostei dessa região Isa, qualquer dia irei dar um passeio por lá!

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  3. Realmente é lindo. Com certeza na neve....deve ser mais bonito. Vamos juntas?????

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  4. Gostei muito dessa Bel, muito linda!!

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