Memoria
Não Sou Mais Dona de Mim
O tempo escorrega
pelas minhas mãos.
Já não sou dona de mim.
Sinto-me fugir.
Fujo de mim mesma.
Dos meus anseios.
Dos meus medos.
Tenho medo.
Não me encontro mais
neste espiral.
Perco-me nas palavras.
Afundo-me na angústia
de saber
sem compreender.
Estou presente
no dia a dia,
mas completamente ausente.
Minhas lembranças fogem.
A cada minuto.
A cada hora.
As recordações tornam-se distantes,
como fotografias antigas
esquecidas no fundo de uma gaveta
que já não consigo abrir.
Não consigo mais montar
o quebra-cabeça
que é a minha vida.
A cada amanhecer,
uma peça desaparece.
Outra se quebra.
Outra se perde.
Minha memória deixa cair meses.
Deixa cair anos.
Levados pelas águas silenciosas
do tempo.
Alguns momentos permanecem claros,
como se fossem ontem.
Vejo-me menina.
Pergunto pela minha mãe.
Chamo meu filho de pai.
Meu irmão de tio.
E não compreendo
por que os rostos
trocam de lugar.
Por isso as luzes permanecem acesas.
Para iluminar
os dias felizes da minha vida.
Esses,
ainda consigo encontrar.
Mas cada vez me sinto mais perdida
nesta armadilha da memória.
Meu raciocínio foge
por corredores desconhecidos.
As palavras escondem-se.
Os nomes escapam.
As frases voltam,
repetidas,
como ecos presos
dentro da mesma sala.
Prefiro o silêncio.
No silêncio,
ninguém percebe
o quanto me perdi.
Meu pior inimigo
não é o tempo.
É aquilo que ele leva.
Desfaz, pouco a pouco,
cada pedaço da minha memória.
Cada dia acordo
com menos do que tinha ontem.
As imagens fogem.
Os rostos desaparecem.
As histórias se apagam.
E eu continuo procurando
a mulher que fui
dentro dos corredores da lembrança.
Às vezes encontro um sorriso.
Uma canção.
Uma tarde de verão.
O abraço de alguém
que amei.
Mas tudo se dissolve depressa,
como neblina
ao amanhecer.
Estou cada vez mais distante.
Mais ausente.
Como uma casa
onde as luzes permanecem acesas,
mas os moradores
já partiram.
E o que mais me assusta
não é esquecer o mundo.
É esquecer a mim mesma.
Até que um dia,
talvez,
reste apenas o silêncio,
sentado ao meu lado,
ocupando o lugar
das memórias
que um dia fizeram de mim
quem eu era.
Autora: Isabel van Gurp
Que bacana Bel. Legal mesmo. Continue assim sendo essa pessoa maravilhosa que vc eh e alegre e espontanea. Gosto muito de voce Bel.
ResponderExcluirUm beijao,
Alex
Oi Gostei dessa região Isa, qualquer dia irei dar um passeio por lá!
ResponderExcluirRealmente é lindo. Com certeza na neve....deve ser mais bonito. Vamos juntas?????
ResponderExcluirGostei muito dessa Bel, muito linda!!
ResponderExcluirClaudia, a primeira eu fiz para minha sogra.....
ExcluirQual?
ResponderExcluirSão duas na mesma pagina....