terça-feira, 16 de julho de 2013

Minha alma dança

Minha Alma Dança 
Essas fotos eu tirei em Zeeland, são momentos mágicos 


Minha alma clara dança
ao som dos anjos
que voam ao meu redor.

Flutuo entre rosas brancas
que nascem no meu jardim
e florescem dentro de mim.

Entrego-me a esse amor
que me purifica em água benta,
derramada pelos anjos que me rodopiam
numa valsa de luz.

Recebo de ti o brilho sereno
quando encontro teu olhar.

Sinto meu corpo sair de mim,
rasgar a distância,
quilômetros, metros,
só para te encontrar.

Sinto-me leve,
feliz,
sem motivo,
sem razão.

Voo  voo sem asas
como o vento,
como o fogo em brasa.

Perco-me nas tuas palavras,
encontro-me nos teus abraços,
levito nos teus toques.

Minha aura branca dança
quando esbarro num anjo
no meu jardim.

Ele semeia dentro de mim
a água benta proibida
que me faz tocar os céus,
levada por ti.

Teu corpo me faz mulher,
teu amor me faz feliz.

Nossos corpos dançam
com os anjos que saem de mim,
voam ao meu redor,
e retornam ao céu,
iluminados pelos deuses
que fazem o milagre do amor.

E assim,
minha alma clara dança.



  autora: Isabel van Gurp



















Eu tive a honra de fotografar esse momento lindo, que um pato esta comendo uma cobra....





sexta-feira, 7 de junho de 2013

Passageiros

Passageiros

Cerrei meus olhos,
abri minha alma.
Escutei o silêncio
sussurrar palavras soltas,
desvirtuadas,
que voavam pelo ar
enviadas pela brisa.

Senti o vento soprar aos meus ouvidos,
tentei ouvir a mim mesma,
ouvir meus próprios passos
perdidos na multidão,
passos que passavam
sem ser notados.

Ouvi minha voz
dentro de mim.
Escutei passageiros
que passaram pela minha vida
sem deixar marcas,
e alguns
os que ficaram
fizeram cicatrizes,
mas se perderam nas estradas.

Vi rostos,
rostos diferentes
que iam e vinham,
chegavam e partiam.
Nos meus devaneios,
todos se misturavam
no mesmo olhar,
na mesma busca:
a de mim mesma.

Entre tantas faces,
tantas feições,
eu me encontrava
e me perdia.
Em cada corpo,
em cada alma confusa,
eu procurava arrancar de dentro de mim
aquilo que me faltava.

Ali,
de olhos cerrados
e alma exposta,
no silêncio que me envolvia,
descobri a resposta do meu medo:
amei a todos,
menos a mim mesma.

Autora: Isabel van Gurp







sábado, 25 de maio de 2013

Mesma Maré



Somos da mesma maré,
separados pelas correntezas
dos mares que dividem os oceanos,
mas que seguem no mesmo corpo d’água,
alimentados pelo mesmo sal.

Somos da mesma onda
que leva, com força, a existência,
que transforma o destino,
que cai nas areias movediças da vida
e se refaz em espuma.

Somos da mesma correnteza
que move o mundo
em noventa graus,
que transforma fronteiras
num jogo de terra,
de guerra,
de serra.

Somos da mesma água
que pinta o planeta com o azul do céu.
Somos da mesma terra,
iluminados pelo mesmo sol
que gira em torno de todos nós,
nutridos pela mesma fonte,
banhados pela mesma maré.

Arrastados pelas mesmas ondas,
entre diferentes belezas
que vão e vêm,
dividem os oceanos,
levam as terras para longe
e nós também.

Criam fronteiras,
barreiras,
distâncias,
mas tudo permanece
no mesmo globo terrestre
que chamam de universo.

Por isso, irmãos
entre a água,
o mar
e o ar
olhamos a mesma lua
nas noites em que o sol
parte para o outro lado do véu.

Aqui é noite,
lá é dia,
mas seus raios se encontram nos cosmos,
trazendo a mesma energia.

Somos da mesma água
que corre em nossas veias,
do mesmo sal que forma nossas lágrimas,
da mesma terra
que faz o planeta azul no céu.

Somos da mesma maré.


Autora: Isabel van Gurp








O dia da rainha, também é o dia da feira livre. 



 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Código do olhar




 

A magia das tulipas me fazem viajar
Nesse encontro que me deixa perdida
pelo um olhar








Tente acabar com o silêncio
que está entre nós.

Havia tantas palavras
que transbordavam pelo nosso olhar.
Palavras que poderiam ser ditas em murmúrios,
mas escolhíamos o silêncio dos olhos
para falarmos em código morse 
nosso código,
nosso sinal secreto,
enviado pelo olhar intermitente do amor.

As palavras eram ditas por um olhar,
um sorriso,
um gesto.
Eram compreendidas
como a expressão mais pura da alma.

Nosso amor era falado
sem palavras,
com apenas um entreolhar.
Dizíamos o que os lábios
não ousavam pronunciar.

Éramos amigos,
amantes.
Com um olhar,
fazíamos promessas...
fazíamos amor.
E nos perdíamos, loucamente,
nos desejos do nosso código.

Tente acabar com o silêncio
desse olhar
que perdemos em algum lugar.

Poucas vezes usávamos
palavras, frases, gritos...
Para quê,
se nos entendíamos
com apenas um olhar?

Falamos agora,
mas pouco nos olhamos.
Palavras, frases e gritos —
parecem ser tudo o que sobrou.

Nosso código morse se perdeu
nos palavreados da vida.
O que restou foi o silêncio 
não o das palavras,
mas o do olhar.

As palavras de agora
pouco dizem.
Dói ouvi-las dos teus lábios,
quando teus olhos
nunca as disseram.

Não posso reencontrar teu olhar.
Nem o meu.
Eles não se cruzam 
estão perdidos.

Que houve com o silêncio
que me fazia tão feliz?
Que houve com o nosso olhar,
com o nosso código,
que guardava tantos segredos
e fazia tantas promessas?

Tente fingir que não houve uma história,
que não existem fotos
ainda guardadas nos armários 
talvez amareladas,
mas vivas,
ainda cheias de lembranças.

Nelas, ainda se pode ver o olhar 
o meu,
o teu.
As fotos revelam
o que as palavras não podem contar:
o mesmo olhar
que me fazia tão feliz.

É esse que eu busco agora 
no teu olhar.

Não uses palavras para me dizer adeus.
Prefiro que o faças com um olhar.
Porque nesse,
eu sempre acreditei.

Se há silêncio nele agora,
quebra-o.
Com um último olhar 
para ir embora.


Autora: Isabel van Gurp













quarta-feira, 24 de abril de 2013

Filhas da Terra

Filha da Terra

Filhas da terra,
do sol,
do mar,
nem só d’água,
nem só da areia.

Sempre eu.
Somos nós.
De onde vem a vida?
Vem de ti,
do ventre,
de mim.

Sou filha do ar.
Cresço com o brilho do sol,
sou regada pela chuva
que pinta o céu.

E nas minhas mãos,
no toque da raiz,
nasce mais uma vida.

Nem mesmo os espinhos
das rosas
me afastam delas.
Por elas, sento no jardim
para vê-las crescer.

Dentro de mim,
sinto o perfume
que exala do orvalho,
que penetra minha pele
e me faz lembrar
que sou filha da terra,
do sol,
do mar,
da água,
da areia.

Sou filha de ti.
Sou filha de nós.
Sou filha da natureza.



  autora: Isabel van Gurp




terça-feira, 9 de abril de 2013

Abrem-se as janelas








Abrem-se as janelas

O sol que brilha na minha terra
nasce atrás do horizonte,
nas águas claras desperta,
desenhando morros, pontes.

Colorindo as favelas com suas cores 
vermelhas, amarelas, alaranjadas 
vem aos poucos, alastra o céu,
subindo ao altar como um deus,
dourando o oceano,
avermelhando o azul do mar.

Nasce do ventre das ondas,
como um deus que ressurge em chama,
faz do horizonte um altar
onde o mundo inteiro se inflama.

Pinta as águas de cobre e laranja,
derrama fogo nas serras,
e cada raio que avança
é reza viva sobre a terra.

Abrem-se as janelas

O sol da minha terra não nasce, desperta.
Abre os olhos do dia com dedos de ouro,
espalha sobre os morros sua manta aberta,
escorre pelas vielas,
doura os telhados tortos.

Aos poucos conquista os morros
com suas cores alaranjadas,
espiritualiza o verde dos matos,
alegra os pássaros 
que cantam, assobiam,
dão vida à atmosfera,
aquecem a terra.

Invade com seus raios
as frestas das janelas,
alastrando-se pelas ruas da minha cidade.
Desce leve, passa rente,
bate forte no peito da gente.

No brilho da lata, no trem, no sinal,
há poesia em cada quintal.
Quem ainda dorme,
com seus pecados, fome e segredos,
foge da luz 
mas o sol rasga a neblina
e renasce, altivo e inteiro.

O sol que brilha na minha terra
acorda o moleque do lado da laje,
a mãe solo no barraco,
espalha clarão nas calçadas da feira.

Ele não nasce quadrado,
não teme a sombra,
ri das nuvens que o desafiam,
atravessa a tempestade,
cria arco-íris de alegria.

O sol do meu Rio é marrento, esperto,
bate de frente, não foge ao perigo,
ignora a fumaça, rasga as cinzas,
faz da chuva um samba bonito.

Não conhece o tédio,
nem se prende ao relógio:
nasce sempre que um sorriso
vence o medo e quebra o ódio.

O sol da minha terra tem alma,
fala a língua da esperança,
anda descalço nas ruas,
brinca de luz com as crianças.

Invade os becos, brinca de rei,
faz da miséria um bloco, um desfile, uma lei.
Nos barracos renasce em cada sorriso 
porque o sol do meu Rio é puro improviso.

E quando o dia se despede,
com o peito vermelho no mar,
ele se curva sobre o morro,
escuta os aplausos,
e aos poucos se derrete
atrás dos morros 
para, em silêncio,
voltar a brilhar.

Fecham-se as janelas


  autora: Isabel van Gurp