quarta-feira, 24 de julho de 2013

Entre Os Caminhos Das Tulipas


Entre os caminhos das tulipas



Havia um sonho 
o sonho de uma criança
que voava de bicicleta,
entre muros e pedras,
asfalto e terra.

A bicicleta voava, voava...
voava para longe,
até as nuvens,
tão alto
que chegava a um lugar
onde havia árvores
de folhas secas 
amarelas, vermelhas 
caindo ao sopro do vento,
adornando o chão.

Tudo era lindo, colorido,
uma festa de alegria.
Os gnomos marcavam território
com anéis de cogumelos,
junto às suas Cinderelas belas.

Dançavam na madrugada,
em círculos mágicos,
até o amanhecer do dia.

E a bicicleta voava, voava...

Havia um castelo,
um rei e uma rainha,
um príncipe, uma princesa 
uma história que fazia
a criança sonhar,
acreditar em fadas madrinhas,
bruxas, elfos de luz,
anões e sereias,
filhas da terra e do mar.

A bicicleta voava no branco,
no campo, no céu,
onde a chuva caía
e se tornava gelo,
neve 
tudo tão claro, tão belo.

A família real cantava e dançava,
como se o Éden estivesse ali.

E a bicicleta voava, voava...

Entre flores das manhãs de primavera,
seguia à toa, leve,
até o bosque,
onde tulipas amarelas e vermelhas
enfeitiçavam os cogumelos.

A feiticeira, com medo,
corria do herói
que salvava o príncipe e a princesa,
levando-os ao castelo dourado.

E a bicicleta voava, voava...

Na floresta havia um casebre,
um touro azulado,  um mago 
e uma vaca preta e branca
que, como mãe,
amamentava as crianças.

Elas dançavam nos jardins,
felizes,
sem medo da maga malvada
nem dos lobos
que corriam pelos campos
como lebres encantadas.

E a bicicleta voava, voava, voava...

Encontrava patos brancos,
cisnes negros,
voando sobre lagos tranquilos.
E juntos 
todos juntos 
seguiam pelos parques coloridos,
entre rosas vermelhas
e tulipas encantadas.

A multidão marchava,
maravilhada com a varinha encantada
que, ao toque,
fazia tudo magia 
alegria da chegada do verão.

Entre caminhos floridos e coloridos,
o rei e a rainha sorriam,
as crianças cantarolavam.

Cada uma pegava sua bicicleta
e voava comigo.

Sim, eu era essa criança que sonhava.
Perguntei a elas:
“Como se chama este país?”

E responderam, sorrindo:
“Essa terra encantada se chama Holanda.”

Autora: Isabel van Gurp



Breda 

E o dia dos Nassaus










Castelo de Breda














 



 















domingo, 21 de julho de 2013

Meio Século

Meio século de vida
não me trouxe sabedoria,
nem me vestiu de arrogância.
Continuo aprendendo
as lições que a vida oferece,
sigo em frente 
porque é preciso.

Às vezes,
tenho vontade de voltar no tempo,
rever amigos,
pessoas,
histórias
que perdi nas estradas da vida.

Às vezes, queria parar o tempo
com uma varinha mágica,
estar de novo nos lugares
que eu fui feliz.
Às vezes, queria não ter saído de casa,
ficar no casulo
para não perder o colo.

Meio século...
nada significa.
Tudo passa.

Quis esquecer situações 
algumas aprendi,
outras chorei,
umas desnecessárias,
outras me fizeram feliz.
Em tantas, protestei.
Mas em todas vivi.

Esses momentos nos moldam,
nos fazem gente.
Essa gente que carrego em mim.

Das dores que mais sofri,
a maior foi a dor que pari.
E dela, esqueci,
quando olhei para meus filhos
que nasceram de mim.

O que sei é tão pouco 
o pouco de um louco.
Mas a vida é isso:
de louco,
todo mundo tem um pouco.

Entre erros e acertos,
a vida nos faz sublimes.
E o ato de viver
não é um filme,
porque histórias reais
não têm The End.

A vida segue 
de pais para filhos,
de filhos para pais,
no ciclo que nunca cessa.

Tenho tanto ainda a aprender,
como todos, como todas.
E, mesmo assim,
cometo os mesmos erros 
bobos, pequenos, humanos.

Meio século nada significa.
Porque tudo passa,
e quase nada fica.

Nem as lições,
nem as dores,
nem o tempo.

Às vezes quero ser menina,
poucas vezes mulher.

Mas já sei,
e sei tão pouco,
que quando aprendo a ser gente 
sou poeta.






  autora: Isabel van Gurp



 Ao longo dos séculos,  existe  uma ligação entre os anéis das  cidades dos Paises Baixos  e o Reino Holandês. A maioria dos príncipes oferece premios  para jogos (aneis de corridas de cavalos)  em Middelburg, Vrouwenpolder e Westkapelle.  William V, que visitou em 1786 Domburg, entrega duas medalhas de ouro para os vencedores . E assim a tradição sobrevive até hoje