quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Uma avenida


Se um dia eu voltar 
Não voltarei 
Pelo azul do mar
Nem tão pouco pelo sol escaldante
Que no auge do  verão 
Queima a minha  terra sem piedade
E deixa areia da praia em ebulição 
O asfalto da minha cidade
Fervendo com se fosse brasa
E tosta os pés nus sem comiseração....
Se um dia eu voltar 
Não voltarei pela sua beleza que é sem igual 
Que faz meu Rio 
Ser minha pátria tão idolatrada
Que é  cantado em versos e prosas....
E clamado pelo seu carnaval
Se um dia eu voltar 
Voltarei por uma avenida 
Colorida e tão cheia de vida
Uma avenida de sonhos, de alegrias, palhaços e arlequim
Que contam histórias com ritmos 
Mas que  sempre acaba numa quarta feira 
Que chamam de cinza
Voltarei pelo cheiro da chuva 
Que cobre os morros com suas águas 
Que descem nervosamente 
Arrastando com sua força tudo que vem pela frente
Deixando pra trás... nada
Nada para aquela gente
Que perde tudo nas chuvas de verão....
Menos alegria de viver e recomeçar....
Se um dia voltar 
Eu voltarei 
Por uma escola tão animada
Que nasceu nesse morro 
Que o seu povo sem nada
Fábrica esse sonho de riqueza e de beleza....
Eu voltarei para tremer nesse ritmo quente 
Que tosta os pés  na areia da praia sem dó....
Que faz qualquer um sambar
Voltarei para entender porque essa gente
Que fica sem nada 
Depois do temporal
Que tudo perde nas suas águas
E sem compaixão arranca a esperança 
Desse povo sofrido
Mas com coragem
Eles vão 
para  avenida 
Dançam e sorriem
E eles  são felizes
Talvez não por muito tempo
Mas são....
Se um dia eu voltar 
Voltarei 
Por aquela multidão 
Que segue cegamente num ritmo frenético 
Com suas roupas coloridas e alegres
Pagadas com sacrifício
Com suor do trabalho
Mesmo sem nada 
Cantam a felicidade
Em algumas horas ou em alguns minutos 
As vezes muitas vezes no relâmpago do segundo
Que toca a saudade nos meus olhos
Me enche de orgulho
De saber que eu faço parte desta gente
Que muita vezes sem nada segue em frente.....

autora: Isabel van Gurp














Pensamentos

Quando as lagrimas não escorrem Em vão do pensamento O sentindo de chorar Esta no triste olhar Nobre ser Esta na roupa que ves...