sexta-feira, 1 de março de 2013

No ritmo d'alma



No Ritmo d'alma






Na pontinha do pé
Saio dos arranhas céus
 Desço morro pelo esgoto
Meu corpo desprende d'alma
Na calada da noite
Me acalma
Sambo
Levada pelo sino dos tambores
Meu corpo solta                                 No feitiço dos deuses africanos
                      Minha mãos estende pedindo axé
Meu ser compreende
Me larga de mão
Me joga no asfalto
Para um acoite total
Irreal de um sonho
Que explode em mim
Ele entende
Que fui tomada  pelos deuses
Do samba
Em transe
Deixa as minhas 
pernas rolarem
Numa valsa
Que envolve meu corpo num açoite do gozo
Desfruto do culto dos tambores
A música entra em mim
Me usa e abusa
E foge pela minha boca
Estou transversal na avenida
Eu sou o samba
Ele entrou em mim
Para me fazer sua escrava
Sigo atrás da multidão
Cega e escuto somente o som 
Dos tamborins
Como todos
Em transe
Somos felizes
Levados pela  fé
Carregados pelo axé
Movidos pelo tambores
No ritmo frenético das cuícas
Eu sou o samba
Que finca no seio de quem acredita
Que ser imortal 
E viver para sempre
Ter o samba na alma
E a vida jogada numa escola
Que chamam de samba


  autora: Isabel van Gurp




















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